Aparelho Psíquico para Melanie Klein

O tema do texto passado foi também o conceito de aparelho psíquico. Enquanto nele nos concentramos na perspectiva freudiana do conceito, nesse texto traremos a concepção de Aparelho Psíquico para Melanie Klein.

Caso não tenha lido o texto anterior, recomendo fortemente que leia. Isso porque faremos comparações constantes entre as concepções dos três autores. É só clicar aqui!

APARELHO PSÍQUICO PARA MELANIE KLEIN

As duas principais perspectivas diferenciáveis no que diz respeito ao conceito, origem e função do Aparelho Cognitivo são a estrutural-pulsional e a estrutural-relacional. Tanto Freud quanto Klein seguem a linha estrutural-pulsinal. Suas principais características são:

– Concepção de indivíduo enquanto unidade fundamental, desconectado do contexto relacional desde que se constitui seu psiquismo;

– Não pressupõe a existências de laços pré-ordenados entre o indivíduo e a humanidade, enxergando o outro como uma criação da pulsão;

– A pulsão é considerada a origem de toda ação humana, determinante na delimitação de sua relação original e atual com o mundo externo.

Em sua obra Freud já havia deixado muitos indícios da existência de uma face pulsional do Superego. Nesse sentido, é possível dizer que o que Klein fez foi desenvolver sua teoria a partir de aberturas já apontadas por ele. A autora insistiu nos aspectos destrutivos do Superego, e o próprio Freud levou em conta essas contribuições.

SUPEREGO PARA KLEIN

Para Klein, o Superego assume caráter arcaico muito mais definido. Sua formação se iniciarIa naquela fase de desenvolvimento em que as tendências pré-edipianas sádico-orais e sádico-anais estão no ápice. Essa concepção de Melanie de um Superego arcaico, feroz e pulsional, resulta justamente do privilégio que a perspectiva estrutural-pulsional atribui à singularidade do mundo interior.

Ela identifica, ainda, um certo contraste entre a severidade que o Superego pode desenvolver e a tolerância dos pais. Mas, para ela, a formação do Ego não encontraria sua base nas interdições familiares. O que exerce forte influência nessa formação não seriam os pais reais, mas a imago dos pais criada no psiquismo.

ID, EGO E SUPEREGO NA FORMAÇÃO DO APARELHO PSÍQUICO

Para a autora, a formação do Superego arcaico teria origem na forma encontrada pelo Ego para controlar os impulsos destrutivos presentes no organismo. Ele (Ego) mobilizaria uma parte desses impulsos em defesa contra a outra parte. O Id sofreria, com isso, uma cisão. E dessa cisão é que se dá a formação das inibições pulsionais e do Superego.

Segundo Klein, a força do Superego provém totalmente do sadismo do Id. Essa força, portanto, é considerada por ela como biológica. Dessa forma, as interdições superegóicas, ou seja, a ação reguladora do Superego, teria raízes pulsionais. Aqui já podemos perceber que a questão moral, ou a influência social e cultural, ficam secundarizadas na perspectiva de Melanie. Isso ocorro, em grande parte, porque nesse sistema teórico a questão da alteridade perde importância.

Isso não quer dizer, no entanto, que não haveria na teoria kleiniana a concepção de um caráter ético e moral para o Superego. Ela existe, mas esse seria um caráter secundário. Na teoria de Klein o que vemos é uma transformação do Superego perseguidor para o legislador, privilegiando a culpabilidade e a ideia de síntese. O Superego legislador seria o que assume papel secundário nessa formulação.

No sistema kleiniano o Superego tende a apresentar um duplo caráter – superego “mau” em oposição ao superego “bom”. Nessa separação, o superego bom estaria diretamente ligado ao sentimento de culpa reparadora. Permanece na teoria kleiniana, portanto, o caráter ambíguo da relação entre ataque pulsional e culpa, ainda que a autora busque nos orientar para a ideia de uma articulação complexa entre eles.

Foi útil para você? Curta, Comente e Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *