Personalidade para a Psicanálise: Uma Teoria

Sigmund Freud é considerado o precursor ou criador da psicanálise. Essa é uma área de conhecimento bastante complexa, devido à quantidade de elementos e nuances que ela engloba. Uma das abordagens possíveis para começar a compreende-la é por meio do estudo da personalidade para a psicanálise.

Os modelos de identidade, assim como as divisões topográficas da mente, foram identificados e analisados por Freud a partir de sua experiência em clínica. Ao observar os transtornos psicológicos que muitos indivíduos apresentavam, constatou a existência de níveis Inconscientes em nossa mente. Afirmando não haver uma descontinuidade entre os processos mentais, o autor se dedica a identificar os níveis obscuros da psique humana. A partir dessas análises ele pode afirmar que a parte de nosso cérebro mais importante na definição da personalidade não é a consciente, mas a inconsciente.

A própria definição de personalidade é bastante ampla na psicanálise, podendo ser explicada a partir de inúmeros pontos. Nesse post, trataremos da personalidade a partir das diferenciações individuais. A principal base teórica para essa abordagem é a do francês Jacques Lacan.

Como é amplamente sabido, a psicanálise se interessa principalmente pelo desenvolvimento da psique durante a infância. Isso porque vê como primordial o papel da família na formação da personalidade.

Devido a essa concepção, defende-se que é a partir do Complexo de Édipo que se estrutura a psique. Apesar de Complexo de Édipo não ser o tema desse texto, vejamos basicamente o que ele significa antes de prosseguir.

COMPLEXO DE ÉDIPO

O termo Complexo de Édipo foi criado por Freud para designar o conjunto de sentimentos hostis e amorosos que o filho sente em relação à mãe. Seriam desejos que surgem de forma inconsciente durante a infância. O nome foi inspirado na tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles. Nela, o autor grego conta a história de um filho que matou o pai e casou-se com a mãe, isso antes de saber do parentesco entre eles. Quando descobriram ser mãe e filho já haviam, inclusive, constituído uma nova família. Com a notícia, a mãe se suicidou, enquanto Édipo arranca os próprios olhos.

Para tratar do fenômeno de identificação entre filha e mãe, Freud utilizava o termo Complexo de Édipo feminino. Nesse, a identificação da filha com a mãe seria tão intensa que a primeira competiria com a segunda pelo amor do pai. Jung denominava o fenômeno como Complexo de Electra, mas Freud rejeita esse termo.

PERSONALIDADE PARA A PSICANÁLISE

Como dissemos, a psicanálise freudiana entende que a partir do Complexo de Édipo se forma a estrutura da Psique. Existiriam, ainda, três grandes estruturas possíveis, nas quais todos os indivíduos se encaixam. Elas seriam: psicose, neurose e perversão.

Não parece nada bom, não é mesmo? Os nomes dessas três estruturas já remetem, de certo modo, a um transtorno. Dizer que todos os indivíduos se encaixam em alguma dessas estruturas mentais significa que estamos todos doentes? Não é bem assim.

Na concepção psicanalítica, a nossa formação na infância – baseada no Complexo de Édipo – determina em qual das três estruturas nos encaixaremos. E mais: uma vez determinada a estrutura psíquica de um indivíduo, ela jamais mudará.

Se as três estruturas estão fortemente ligadas à ideia de distúrbios psíquicos, e se todos os indivíduos se enquadram em alguma delas, qual seria a diferença entre a normalidade e a doença? Freud explica. A única diferença, para a psicanálise, estaria no grau. Ou seja, as pessoas têm graus variados de sintomas ligados à sua estrutura psíquica. Quanto maior o grau, maior o sofrimento do indivíduo. O sofrimento derivado desses sintomas psíquicos, resultantes da estrutura mental constituída a partir do Complexo de Édipo, é o que leva à procura de tratamento psicológico. E por meio desses sintomas é que Freud vê a necessidade de compreender a formação, a função e a importância do Inconsciente.

Cada uma dessas três estruturas apresenta subdivisões. Vejamos quais são cada uma delas.

PSICOSE

A psicose se divide em Esquizofrenia, Autismo e Paranoia.

NEUROSE

A Neurose se divide em Neurose Obsessiva e Histeria.

PERVERSÃO

A perversão não possui subdivisões. Ela, no entanto, possui várias formas de manifestação. Uma delas seria o que Freud chama de Fetichismo.

Deixaremos para o texto seguinte a explicação quanto a cada um dessas estruturas, suas subdivisões e seus sintomas característicos. Por ser um tema complexo, é interessante explicarmos uma coisa de cada vez. Assim o texto não fica cansativo e vocês, nossos leitores, conseguem entender tudo de forma mais aprofundada.

Cabe aqui, no entanto, acrescentar algumas características das estruturas da psique. Principalmente no que diz respeito à importância delas para a compreensão de qualquer tema da personalidade para a psicanálise.

Como dissemos acima, é durante a infância que se determina em qual das três estruturas cada indivíduo irá se encaixar. Isso quer dizer, primeiramente, que a influência familiar, por meio do Complexo de Édipo, determina a personalidade do sujeito, e todas as personalidades podem ser explicadas a partir de um dos três modelos.

Mas existe mais uma informação importante para o estudo da personalidade para a psicanálise. Uma vez constituída a personalidade, ela se torna imutável. Ou seja, um indivíduo cuja personalidade se enquadre na estrutura neurótica, jamais desenvolverá distúrbios psicológicos característicos da obsessão. Assim como a pessoa “perversa” jamais terá um surto psicótico.

Com isso, podemos começar a compreender a importância de identificar a personalidade para a psicanálise. Identificando em qual estrutura se encontra a psique do indivíduo é possível saber a forma de tratá-lo caso o grau dos sintomas se acentue.

(Créditos da Imagem: www.fasdapsicanalise.com)

Foi útil para você? Curta, Comente e Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *