Uma síntese do modelo psicanalítico

O modelo psicanalítico e o emprego desse termo podem ter mais de um significado. Primeiramente, podemos compreender a psicanálise como uma área da ciência à parte da psicologia. Seja o método terapêutico utilizado para tratar pessoas com problemas psíquicos. Seja o próprio procedimento de investigação em que ela se baseia.

A psicanálise, a priori, pode ser entendida como o acúmulo sistemático de conhecimentos sobre a mente humana. Obtidos por meio dos procedimentos ou do modelo psicanalítico abaixo descrito.

A psicanálise, então, é um procedimento para investigação dos processos mentais. Essa investigação busca pensamentos, sentimentos, emoções, fantasias e sonhos. Processos que eram praticamente inacessíveis de outra forma que não por meio da psicanálise e do método psicanalítico. O método baseado dessa investigação, utilizado para o tratamento das neuroses, também é conhecido como método ou modelo psicanalítico.

Também o método de investigação pelo qual se busca evidenciar o significado inconsciente das palavras, atos e produções imaginárias. Esse movimento por meio do qual o psicanalista procura tornar o inconsciente consciente é a própria psicanálise. A questão do inconsciente, portanto, é de suma importância para a compreensão do significado da psicanálise ou o modelo psicanalítico.

Consciente e inconsciente – o modelo topológico

Atualmente, muitos de nós já ouvimos falar no inconsciente. Porém, quando a psicanálise começou a ser difundida, esse conceito ou ideia sofreu uma grande oposição dentro da classe médica. E também por parte dos leigos ou não estudiosos da área. Em, 1916, na Conferencia Introdutória de Psicanálise Freud fez uma afirmação importante para o surgimento da psicanálise. Ele disse que é natural do ser humano rejeitar a ideia de que somos dominados por processo que desconhecemos. Dentro dessa concepção, Freud procurou demonstrar que a humanidade sofreu três grandes narcisismos, como se fossem traumas. São eles:

Primeiro, a tirada da terra do centro do universo por Copérnico. Em segundo, a teoria de Darwin, e a sua explicação sobre a origem das espécies pela vida. Explicação que tirou o homem da então pretensão de ser filho de Deus. Por último, o próprio Freud afirma, por meio de sua descoberta do inconsciente, que o homem não possui o domínio sobre a sua própria vontade.

De acordo com Freud, a sua descoberta do inconsciente veio de duas formas diferentes e paralelas. Ela surgiu das experiências clínicas pioneiras de Breuer, e também das experiências de Bernhein com suas sugestões pós-hipnóticas. Essas experiência foram muitos importantes para o surgimento da psicanálise e do modelo psicanalítico.

A experiência de Breuer

O trabalho clínico de Josef Breuer contribuiu para a descoberta do inconsciente. Na verdade esse foi o segundo caminho utilizado nessa descoberta. Esse trabalho, desenvolvido com Freud, iniciou-se com uma jovem paciente então chamada de ‘Ana O’. Em 1895, Freud e Breuer publicaram estudos sobre a histeria. Esse fato é considerado, por muitos estudiosos, como o primeiro trabalho de repercussão da psicanálise. Outros estudiosos atribuem a publicação do livro de Freud “A Interpretação dos Sonhos”, de 1900, como marco inicial da psicanálise. A pesquisa desenvolvida a respeito da histeria tem um papel fundamental no surgimento e aplicação da psicanálise e do modelo psicanalítico.

Na obra de 1895, algumas conclusões tiradas do caso de Ana O. procuram definir a relação entre consciente e inconsciente. Nele, estabelece-se a existência de uma vida psíquica inconsciente. Uma vida que pode ser dominante com relação à consciência e que é, ao mesmo tempo, paralela a ela. Essa suposição foi muito importante para o desenvolvimento do modelo psicanalítico freudiano.

A experiência de Bernhein

Bernhein criou um método que consistia em hipnotizar o paciente e, durante o sonambulismo, dar-lhe uma sugestão ou ordem. Isso fazia com que o paciente, após retornar do sonambulismo, num primeiro momento, permanecesse quieto. E em seguida, ele executava a ordem dada durante o hipnotismo.

Por meio desse procedimento, surge a explicação da existência de dois processos psíquicos paralelos, um consciente e um inconsciente. O processo inconsciente acaba determinando as ações do sujeito, mesmo sem que este o perceba.

Além da caracterização do consciente e inconsciente, nesse caso da ordem emitida sob hipnose, dois processos psíquicos devem ser considerados. No primeiro processo, o paciente realmente não se lembra da ordem e o hipnotizador questiona para que ele se lembre. Assim, após um grande esforço, ele acaba recordando da ordem recebida. Bem como de ter cumprido a ordem, durante o tempo determinado e fica consciente de foi hipnotizado. O segundo é quando o paciente rejeita-se em cumprir a ordem do hipnotizador, a qual fere os seus valores morais.

Essas duas bases são muito importantes para se compreender o surgimento da teoria e do modelo psicanalítico. Tanto de Breuer quanto de Bernhein. Também os estudos de Freud sobre histeria são muito relevantes, principalmente, quando do surgimento dessa nova área de estudo. A qual, aos poucos, foi se tornando uma nova ciência.

A Histeria na Psicanálise Freudiana

 A palavra histeria advém do grego “hystera”, que significa útero. A histeria pode ser compreendida por meio de diversos sintomas. Dentre os quais estão alucinações, convulsões, paralisias, sonambulismo, além da perda da fala, das sensações ou da memória.

Até o surgimento da psicanálise, acreditava-se que somente as mulheres podiam sofrer sintomas histéricos. O que explica a origem do próprio termo. Mulheres com histeria foram, por exemplo, perseguidas como bruxas, durante a Santa Inquisição. Ou eram consideradas como possuídas e, por isso, eram perseguidas e, muitas vezes, eram queimadas.

O estudioso Charcot, apesar de lidar com os histéricos de forma mais humana e crer que eles podiam ser tratados. Mesmo assim, ele ainda acreditava que a histeria era hereditária. Os estudos de Charcot e as suas demonstrações com pacientes sob hipnose fascinaram Freud. Esse fascínio contribuiu para que Freud começasse a empregar a hipnose com seu amigo e médico Josef Breuer. O que repercutiu na origem da psicanálise e do modelo psicanalítico, conforme visto acima.

Após esses experimentos com a hipnose, Freud abandonou-a e iniciou a técnica sugestiva. Nessa técnica, ele afirmava ao paciente que ele poderia lembrar-se do acontecimento traumático sofrido. Algo que, conscientemente, ele não sabe, mas que cuja experiência estaria guardada em seu inconsciente. A partir de então, era feito um grande esforço para que o paciente conseguisse buscar em seu inconsciente essas experiência ou trauma. Essa é uma das principais bases do modelo psicanalítico ou de seu método terapêutico.

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