Teoria da Representação no método psicanalítico

Segundo a teoria da representação, na psicanálise, o fenômeno representacional psíquico está diretamente relacionado ao sistema nervoso humano. De acordo com Freud, as representações são analógicas e imagéticas. Elas são unidades mentais de objetos, situações, sensações, relações, etc. E as associações se inter-relacionam por meio de redes associativas. Essas associações surgem a partir de um processo fisiológico cerebral, baseado em uma rede de neurônios. Isto é, as representações são originadas da percepção sensorial do indivíduo.

Esse processo ocorre por meio de um mecanismo de reflexo. Nele, a informação sai de uma rede associativa de neurônios e chega à região motora e sensorial. Isso provoca modificações nas células centrais, o que acarreta na formação das representações.
Segundo Freud e a teoria da representação, a representação de objeto também pode ser chamada de representação da “coisa”. Ela é formada por diversas apresentações, como visuais, acústicas, táteis, cinestésicas, dentre outras.

Por exemplo, as representações imagéticas, não formam imagens psíquicas, mas sim traços mnésicos de sensações. Dentre elas podemos citar as emoções, que são processos de descarga de energia, o que percebemos como sentimentos. Traços mnésicos podem ser compreendidos como uma marca deixada por uma informação no sistema nervoso central, a qual pode ser permanente ou temporária.

Segundo a teoria da representação, a relação entre os tipos de representação formam associações contidas nas representações de objeto. Isto é, nas ideias que temos a respeito de cada objeto. Dessa forma, vemos que um único objeto, conforme a sua representação em nossa mente, pode ser constituído por diversos aspectos sensoriais da realidade externa. Dentre estes aspectos está o sabor, a cor, a textura, o cheiro, etc.

A origem da teoria da representação

A origem da teoria da representação, na obra de Freud, está em seu texto sobre a concepção das afasias. Publicado em 1891, nele Freud formula o que seria a sua primeira teoria da representação.
Nesse estudo, Freud afirma que as representações possuem os traços mnemônicos como conteúdo básico. As quais surgem a partir de percepções precipitadas advindas de experiências vividas pelo indivíduo. No entanto, os sistemas de traços mnêmicos são resultados de reorganizações mentais dos estímulos advindos do mundo externo. Isto é, a representação não é apenas um retrato ou imagem do que se viu na realidade. Mas sim uma reconstrução mental complexa do que foi visto ou percebido externamente.

Dessa forma, de acordo com a teoria da representação na psicanálise, as representações podem ser definidas como produções mentais. As quais correspondem a um objeto ausente. O que faz com que esse objeto se torne subjetivamente presente mais uma vez.
A teoria da representação de Freud traz grande embasamento de sua teoria metapsicológica.

A Metapsicologia é o nome dado para a teoria de Freud, englobando noções variadas e importantes para a psicanálise. Dentre elas, a da formação da mente e suas teorias relacionadas ao consciente, ao pré-conscientee ao inconsciente. Além de outros fatores importantes de sua obra que estão relacionados ou que surgem a partir da teoria da representação.

Ao tentar compreender e tratar as neuroses, Freud acabou formulando uma teoria em que a representação pode ser definida como a essência do psiquismo. Por se tratar de um processo mnêmico, a representação é algo que vem de forma independente e anterior à consciência.

A representação de palavra e a representação de objeto

Ao formular a teoria da representação, Freud propôs, em 1981, os conceitos de representação de palavra e representação de objeto. Os quais viriam a desempenhar um papel fundamental em sua teoria posterior.

A representação de palavra trata de um complexo associativo que é constituído de imagens acústicas, visuais, quirocinestésicas e glossocinestésicas. O seu principal fator organizador, dentre esses fatores, é o elemento acústico.  A hipótese a respeito das associações linguísticas que compõem a representação, na teoria da representação foi posteriormente retomada por Freud. Ele retomou essa hipótese para explanar sobre a possibilidade da rememoração consciente.

Freud coloca que somente as representações associadas a palavras poderiam ser rememoradas pela via normal do pensamento. Isto é, a palavra se torna uma representação da consciência.
Quanto à representação de objeto, ela corresponderia também a um complexo associativo composto por diversas imagens sensoriais. Porém, nesse caso, o elemento organizador é, com maior frequência, a imagem visual.

Dessa forma, para Freud, a representação de palavra adquire um significado a partir da sua associação com a representação de objeto. E assim, por consequência, a representação de objeto adquire um significado pela sua associação com sensações corporais.

Na obra “Sobre a concepção das afasias”, em que Freud publica pela primeira vez a teoria da representação.

Ele mantém a identificação entre o psíquico e a consciência, com a hipótese de que toda representação é necessariamente consciente. Os conceitos de representação e de consciência serão desvinculados em uma obra posterior, intitulada “Projeto de uma psicologia científica”. Essa obra foi escrita em 1895, entretanto, ela apenas foi publicada em 1950, isto é, postumamente.

 

A Inovação da Teoria da Representação no Método Psicanalítico

A teoria da representação atribuída à psicanálise freudiana é inovadora, pois ela se afasta da visão clássica das representações. Visão principalmente presente na filosofia e na psicologia associacionista da época.

Freud vai além, ao propor um âmbito representacional não referencial. À medida que a representação perde a relação de univocidade semântica com relação aos objetos do mundo externo. Ou seja, o psíquico adquire um significado próprio, de acordo com a bagagem, as vivências e percepções do indivíduo. Relacionados, portanto à sua mente, ao seu modo interno e ao sistema que se quer interpretar.

O objetivo ou a representação, então, ganham uma amplitude em seu conceito, para a psicanálise. Como a própria psicanálise amplia a noção de sujeito. Já que, na psicanálise, não se pode falar em sentido estrito de sujeito como se o sujeito fosse algo evidente. Pelo contrário, sabe-se que ele não é evidente, mas muito mais complexo, inclusive devido à sua psique. À qual está diretamente relacionada à representação e a teoria da representação, para a psicanálise.

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