A ética na psicanálise

Quando criada, a psicanálise causou muita divergência entre médicos e cientistas de sua época. No entanto, com o passar dos anos, as descobertas de Freud auxiliaram muito no tratamento de doenças psíquicas. Muitos afirmaram e afirmam que a psicanálise é uma área de conhecimento à parte.

Uma nova ciência à parte da psicologia. Para muitos estudiosos da área, a psicanálise apenas se torna possível em um mundo onde a ciência está presente. Entretanto, outros afirmam que a psicanálise em si, atualmente, não deve ser considerada como uma ciência. Isso também influi na questão da ética na psicanálise.

Para se entender a questão da ética na psicanálise, entretanto, é importante entendê-la na sociedade. Com as descobertas do mundo moderno, a humanidade passou por diversas mudanças. Muitas das ciências levaram o homem a diferenças concepções sobre si mesmo e sobre as suas crenças.

O que era considerado certo, perfeito, moral, para muitos homens passou a ser visto com outros olhos. O discurso, que era centralizado pela Igreja, passou a mudar de rumos e vir de outras áreas, campos ou ciências. O campo da ética, então centralizado pelo discurso da Igreja, também entrou em crise com a modernidade e suas descobertas.

A partir das descobertas de homens como Galileu e de Isaac Newton, a ideia da não possibilidade de se criar uma ciência nesse mundo foi questionada. O que era abstrato tornou-se mais tangível, mais provável. Conseguiu-se chegar a resultados exatos com a nova física, que na época ainda era uma filosofia natural.

A partir dessa época e, principalmente, a partir das descobertas destes homens houve grandes mudanças no pensamento humano. Além de uma separação radical entre dois campos de saber: a ciência e a ética. A ciência que então passou a se referir ao conhecimento exato e a ética, à moral.

A Ética na sociedade e o surgimento da psicanálise

Assim, para se entender a ética na psicanálise, vamos vendo as alterações pelas quais ela passou em sociedade. Com todas essas mudanças passadas pela humanidade, a ética também passa a ter novos significados para o homem moderno.

Quando o homem deixa de ser (ou de se ver como) o centro do universo, suas certezas são colocadas em dúvida. Afinal, quem pode garantir que a ética, a moral estão realmente corretas? Para Descartes,em sua obra “Discurso sobre o Método”, ele duvida de tudo. Assim, sob esse prisma, para ele a dúvida passa a ser fundamental ao homem moderno.

A filosofia passa a ser pensada sempre sob a sombra do niilismo. Os pensamentos dos homens estão, ao mesmo tempo, sob a sombra do nada e também sob a sombra do infinito.

O homem se vê perdido, em busca de uma resposta, de um sentido ou orientação. Além disso, o homem se vê perdido em si mesmo. Nesse momento surge Freud e a psicanálise. Uma ciência nova que busca compreender mais profundamente a mente humana e o comportamento humano.

Suas descobertas, a princípio, são bastante polêmicas, pois ele questiona a moralidade reinante. Além disso, ele realiza uma nova revolução, colocado que o centro da psique não é mais o eu, mas sim o inconsciente. O eu é apenas a ponta das três partes em que se divide a mente: inconsciente, pré-consciência e consciência. Assim, vamos entendendo o que é a ética na psicanálise.

Voltando na história, ao analisarmos a diferença entre ética e episteme, podemos ver que a psicanálise não é uma ciência, mas uma forma de ética. Mesmo que Freud, e muitos de seus seguidores, procuraram fazer a psicanálise uma ciência.

Segundo Freud, a psicanálise seria uma ciência natural, empírica. A própria psicanálise acabou adentrando outras áreas de conhecimento e ciências.

A Ética na Psicanálise

Ainda que a psicanálise possa não ser considerada uma ciência, para muitos, nem por isso, ela é menos. Isso porque a análise e o método psicanalista ajudam o indivíduo a descobrir a si mesmo. Seus medos, seus traumas e receios, seus recalques. E assim, a psicanálise, auxilia o indivíduo a lidar com seus sintomas.

Dessa forma, compreendemos a função da ética na psicanálise. Além disso, podemos ver que ela pode ser situada no campo da ética e não no campo da ciência. Como quisera seu próprio fundador. Não sendo por isso menos importante para a humanidade.

Muitos estudiosos atuais sugerem que a Ética é o que pode possibilitar a existência da psicanálise na atualidade. É ela que pode legitimar a psicanálise, dando-lhe significado.

O psicanalista ou analista, ao auxiliar seu paciente a descobrir seus problemas, pode lhe instruir qual o melhor caminho a tomar. Não lhe sugerir, mas lhe instruir sobre como buscar esse caminho. Um caminho que para ele seja correto, moral, ético e, principalmente, que trate de seu problemas. Eis uma das principais funções da ética na psicanálise.

Assim, o paciente, aos poucos, passa de uma fase de desilusão. Ao perceber que não é capaz de satisfazer seu analista, para o encontro de si mesmo. O analista não tem a resposta pronta, dessa forma, o paciente percebe que ele não é tão sapiente e poderoso como ele, a princípio, supunha.

Nesse momento a ética é que faz a diferença, junto do método ou modelo psicanalítico a ser empregado. Além de propiciar autonomia à pessoa, para buscar soluções e decidir como tratar os seus problemas. Vendo que é apenas ela mesma que pode saná-los.

Mas a psicanálise, certamente, pode auxiliar nesse processo. Trabalhando esses problemas ou doenças psíquicas. E, acima de tudo, a ética na psicanálise, tem um papel funda

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