Neurose e Psicose

De um modo geral, a psicose se diferencia da neurose por apresentar-se com mais intensidade e também por ser incapacitante. Historicamente, a psicose também foi denominada de loucura. Ainda hoje, em termos jurídicos, por exemplo, a psicose é reconhecida como um transtorno mental grave, que impede que os indivíduos possam gerir seus próprios negócios.

A diferenciação entre a psicose e a neurose não é unânime entre os terapeutas. Para alguns, trata-se apenas de diferenças de intensidade dos sintomas, para outro tanto, há diferenças fundamentais ente as psicoses e as neuroses.

Conceito de Psicose

A perda do controle voluntário dos pensamentos, emoções e impulsos é a principal característica da psicose. O comportamento psicótico apresenta dificuldade traçar diferenciação entre a realidade e a experiência subjetiva, neste caso, fantasias e realidade se confundem, podendo a realidade ser substituída delírios e alucinações.

Neste tipo de psicopatologia, ocorre uma aceitação do estado psicótico por parte do paciente, embora possa não entender que exista algo de errado com ele. A capacidade de relacionamento emocional e social do individuo é afetada, ocorrendo uma marcante desorganização da personalidade.

Nos últimos anos, uma grande quantidade de estudos buscam identificar relações entre a ocorrência da psicose e outros fatores, como idade, sexo e ocupação. A princípio, ficou demostrado que há uma grande variação de idade em relação à manifestação da psicose. Também ficou demonstrada que pessoas casadas são menos propensas a desenvolver algum tipo de psicose.

Além disso, as manifestações psicóticas podem ser verificadas em todos os tipos de ocupações, sem uma ocorrência específica em uma determinada área. Também é comum encontrar manifestações psicóticas em todos os grupos étnicos e raciais, sendo que as manifestações psicóticas ocorrem duas vezes mais em pessoas que vivem em áreas urbanas que pessoas que vivem em áreas rurais.

Conceito de Neurose

Com relação às neuroses, tem que esta psicopatologia não se manifesta por meio de uma ruptura com a realidade.

Estados neuróticos incluem fobias, obsessões e compulsões, alguma depressão e amnésia. Para um grupo importante de psicanalistas, a neurose pode ser identificada como:

  • a) um conflito interno entre os impulsos do Id e medos gerais do superego;
  • b) a presença de impulsos sexuais;
  • c) a incapacidade do ego através da influência racional e lógico para ajudar a pessoa a superar o conflito e
  • d) a manifestação da ansiedade neurótica.

Nem todos os analistas, como destacado corroboram estas afirmações. Alguns seguidores de Freud tornaram-se dissidentes dos seus ensinamentos devido à importância atribuída aos fatores sexuais.

Alfred Adler, por exemplo, defendeu que as neuroses surgem a partir de sentimentos de inferioridade. Tais sentimentos surgiriam na infância, quando as crianças apresentam baixa estatura ou incapacidade de se defender.

Também é comum que médicos encontrem explicações bioquímicas para a ocorrência das neuroses. Pesquisas recentes demonstram que os medicamentos barbitúricos possam estar associados á produção de substâncias inibidoras das atividades do cérebro.

Atualmente, o termo neurose não é mais utilizado para designar este tipo de psicopatologia. Para a identificação destes transtornos, são utilizados por exemplo termos como Transtornos de ansiedade. Estre grupo de doenças define os estados de apreensão, o temor da incerteza com relação a uma situação real ou não. Dentre os sintomas mais comuns, destacam-se a falta de ar, palpitações, batimentos cardíaco acelerado, sudorese e tremores.

Transtornos neuróticos de ansiedade

Em linhas gerais, passemos a ver as subdivisões deste grupo de transtornos:

Fobias – dentre as fobias, a mais comum é a agorafobia, comumente expressa como um temor de sair de casa. Este tipo é o mais comum entre pessoas que buscam tratamento. Também podem ser observados os tipos denominados de fobia social e fobia simples, representado um um medo persistente e irracional.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) – As obsessões mais comuns se concentram em torno da violência. Também é comum que os obsessivos-compulsivos desenvolvam o hábito de contagem (contar etapas, eventos, figuras, papel de parede), de lavar as mãos ou de tocar objetos (todos os móveis em uma sala ou todos os itens de um armário). Geralmente, adultos obsessivos-compulsivos tentam resistir a estes sintomas, compreendendo o quão pouco sentido apresentam.

TEDP – Geralmente manifesta-se como o efeito tardio de algum evento traumático. Quando estes sintomas persistem, conclui-se tratar de estresse pós-traumático, um transtorno comum entre os veteranos de guerra e entre sobreviventes de sequestro ou de desastres naturais.

Transtorno de Ansiedade Generalizada – trata-se de um tipo de ansiedade persistente, que mantém-se ao longo de um mês, por exemplo. Dentre os sintomas mais comuns estão a instabilidade, medo, sudorese, boca seca, insônia, falta de atenção.

O mais importante a destacar com relação às neuroses e psicoses é que o sofrimento é real e, não raro, exigem o suporte de uma psicoterapia para dar suporte ao paciente, ajudando-o a ter uma vida o mais normal possível.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

http://psicopsi.com/pt/psicose-e-neurose/

 

Autor: Dermeval Barbosa de Souza Filho

(especialmente para o site Psicanálise Clínica)

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